sábado, 7 de maio de 2011

AULA ESPETÁCULO COM ARIANO SUASSUNA

Vídeo da Aula Espetáculo com Ariano Suassuna que aconteceu dia 30/4/2011 no teatro do SESC Vila Mariana e com transmissão AO VIVO pelo Portal SESCSP

Com uma escrita inspirada pelo simbolismo, pelo barroco e pela literatura de cordel, o romancista, poeta e dramaturgo Ariano Suassuna transforma o sertão no palco de questões humanas universais. O escritor foi o criador do Movimento Armorial, que tem como projeto a apropriação estética de todas as artes populares do Nordeste. Na apresentação Suassuna conversa com o público sobre as manifestações culturais que tem contribuído para a formação da identidade brasileira.

Clique no site para assistir http://www.youtube.com/watch?v=yobZ3G9n6ho

COMO ESCREVER UMA BIOGRAFIA - PROJETO CULTURA

Professor | Rodrigo Petronio
Duração | 6 encontros
Dias | terças-feiras das 15h00 às 17h00
Datas | 10, 17, 31 de maio 7, 14, 21 de junho
Local | Fundação Ema Klabin - Rua Portugal 43, Jardim Europa
O curso pretende fornecer recursos para a escrita de biografias e elementos técnicos sobre a prospecção de informação, organização dos dados e finalização estilística. Também pretende apontar para algumas definições teóricas dos limites e das trocas existentes entre biografia e literatura, bem como sugerir leituras e comentar algumas biografias e biógrafos, clássicos e atuais.

Informações através do site: http://goo.gl/SAsNL ou pelos telefones 11 | 2307-0767 |11 | 2339-0767  Tel/fax 11 | 3081-5845

ESCREVIVENDO - OFICINA DE ESCRITA E LEITURA NA CASA DAS ROSAS

A desconstrução do fantástico em narrativas de José J. Veiga Com Nedilson César.
Sábados, 14, 21, 28 de maio, 4, 11 e 18 de junho, 10h.
CASA DAS ROSAS

Este módulo da oficina de escrita e leitura será baseado em contos de José J. Veiga, como: "Os cavalinhos de Platiplanto", "A espingarda do rei da Síria" e "A máquina extraviada".
Informações através do site http://www.casadasrosas-sp.org.br/ ou pelos telefones  (11) 3285.6986 / 3288.9447

ESPELHADELA

As meninas aprendem com as mães através dos pequenos gestos, dos olhares suspensos e dos suspiros silenciosos. São pequenas espiãs, aprendizes auspiciosas.  Algumas mães tentam inutilmente despistar ou doutrinar com conversas e lições ensaiadas. Outras se deixam observar por suas pequenas, sem pressa ou estratagemas.

Bem menina ainda, adorava observar minha mãe lendo em sua poltrona. Passava várias vezes pela porta do seu quarto, com todo o cuidado para não interrompê-la. E, através de um pequeno gesto silencioso, tornei-me cúmplice daqueles momentos de misterioso prazer. Sabia que ela tinha começado um livro novo pela cor diferente da capa dura. E se o marcador de livros andasse rápido, era sinal de que ela estava gostando da leitura.

Outras vezes entrava silenciosa no seu quarto e alongava meu corpinho na cama grande que ficava ao lado do espelho. De bruços, apoiava os cotovelos dobrados na cama, mãos sustentando o rosto e olhos fixos em cada movimento dela. Além de mim, só os raios de sol que entravam pela porta de vidro permeavam aquele ritual irretocável. O sutiã de bojo, o vestido evasê, os bobes da véspera, o penteado e o laquê, a maquiagem, o perfume, os sapatos combinando com a bolsa, o toque final de um broche, tudo, tudo eram lições que só foram aprendidas muito mais tarde, quando finalmente compreendi a solidão feminina.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

PALESTRAS E CURSOS GRATUITOS - ESCOLA SÃO PAULO

A Escola São Paulo oferece palestras e cursos gratuitos em diversas áreas. Confira a programação na área de literatura para maio e junho.

OFICINA DE LITERATURA DRAMÁTICA E LINGUAGEM CINEMATOGRÁFICA | com Ivan Feijó | 6 de maio a 31 de junho (6ª) |10h às 13h/8 aulas | 23 horas* | * 7 aulas com duração de 3 horas e 1 aula com duração de 2 horas.

PALESTRA - ROMANCE POLICIAL | com Claudio Nigro |13 de maio (6ª) | 19h30 às 21h30 | 1 aula | 2 horas

PALESTRA - UM DEPOIMENTO SOBRE CRÍTICA DE ARTE | com Fabio Cypriano |  27 de maio (6ª) | 19h30 às 21h30 | 1 palestra | 2 horas

OFICINA DE CRÔNICA | com Milly Lacombe | 2 a 30 de junho (3ª e 5ª) | 10h às 13h | 8 aulas | 23 horas* | * 7 aulas com duração de 3 horas e 1 aula com duração de 2 horas

PALESTRA DE LITERATURA E VIAGENS | com Marcos Moraes | 3 de junho (6ª) | 19h30 às 21h30 | 1 palestra | 2 horas

PALESTRA - CRÔNICA DE UM AMOR LOUCO: O PRAZER NA ESCRITA  | com Xico Sá | 10 de junho (6ª) | 19h30 às 21h30 | 1 palestra | 2 horas

OFICINA DE CRITICA LITERÁRIA: CRÍTICA E ESCRITA | com Paloma Vidal | 11 de junho a 2 de julho (sábado) | 9h20 às 18h | 3 aulas | 23 horas

PALESTRA - UM DEPOIMENTO SOBRE CRITICA LITERÁRIA | com Luiz Ruffalo | 17 de junho (6ª) | 19h30 às 21h30 | 1 palestra | 2 horas

Informações através do site http://www.escolasaopaulo.org/cursos/literatura ou pelo telefone +55 11 3060-3636


             

quinta-feira, 5 de maio de 2011

DIA DA LÍNGUA PORTUGUESA

"Comemora-se hoje o Dia da Língua Portuguesa e da Cultura da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Para celebrar o papel da língua portuguesa, «um vínculo histórico e um património comum resultantes de uma convivência multissecular que deve ser valorizada», haverá eventos em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. A lista dos principais eventos, por país, pode ser consultada aqui.

Em Lisboa, destaque para a exposição de livros de autores em língua portuguesa, para a leitura de textos de autores da CPLP e para a voz de Manuel Freire a cantar poetas da CPLP, no Instituto Camões. No Auditório da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) da Feira do Livro de Lisboa, às 19h30, haverá um debate sobre a internacionalização da língua e cultura lusófonas, com a presença de Ana Paula Laborinho (presidente do Instituto Camões), Domingos Simões Pereira (secretário executivo da CPLP) e Paulo Teixeira Pinto (presidente da APEL)."

Informações http://blogue.priberam.pt/

quarta-feira, 4 de maio de 2011

CARLOS HEITOR CONY NO SESC VILA MARIANA

Amanhã, 05/05/2011 – QUINTA-feira - 20h, a convite de Sempre Um Papo, o escritor e jornalista Carlos Heitor Cony debate o tema “85 Anos de Vida – Literatura e Jornalismo em Experiência” e lançamento do livro “Eu, aos Pedaços”. Uma obra que reúne crônicas já publicadas sobre a vida pessoal e profissional de Cony.

SESC Vila Mariana - Rua Pelotas, 141 – Vila Mariana

ENTRADA FRANCA!

terça-feira, 3 de maio de 2011

ENGARRAFAMENTO

Depois de parar o carro várias vezes, percebeu tratar-se de um engarrafamento. Se chegasse atrasado, teria que ficar até mais tarde no trabalho. Sentiu um desgosto azedo no estômago ao prever sua rotina diária perturbada. Um pensamento súbito prenunciou o sinistro: e se começasse a ter ideias ali no carro?

Rodrigues trabalhava das nove as seis em uma firma de contabilidade. Chegava em casa às sete e, depois de tomar banho e jantar com a mulher e seus dois filhos, fechava-se no quarto para escrever. No começo a mulher reclamou; depois se acostumou: melhor em casa do que na rua. Ele gostava de manter sua vida assim organizada, trabalho durante o dia, um intervalo familiar e a escrita à noite.

Só que de uns tempos para cá, as ideias começaram a atacar Rodrigues fora de hora. A primeira manifestação foi durante um almoço com os colegas. Mal tinha feito seu pedido quando surgiu a loira de voz rouca. O pessoal falava alto à sua volta, mas a única voz que ele escutava era a da loira. Pegou um guardanapo e, com a caneta do bolso, começou a anotar tudo. Até que alguém, estranhando, descortinou seu pensamento em profunda imersão:

- Ô Rodrigues, o que é que você está escrevendo aí?

Despertou-se assustado e guardou atrapalhado o guardanapo no bolso.

- São umas informações que preciso passar para um cliente, não queria esquecer...

Não era assim que havia desejado sua escrita, mas a experiência crescia irreversível. Sentia-se amedrontado e culpado, mas, acima de tudo, sentia-se secretamente vivo. Passou a noite escrevendo. Pela manhã, comprou uma cadernetinha para manter no bolso, caso a loira voltasse.

E ela voltou. Desta vez, deixou um cliente falando sozinho enquanto ela desvendava sua história. Apareceram muitos outros e muitas histórias que Rodrigues registrava como podia. Noites inteiras em claro, perseguindo as mensagens do dia. No trabalho, sempre quieto e ausente, olheiras e anotações intermináveis. Logo começou o falatório, achavam que ele estava ficando louco. O chefe achou melhor conversar com a mulher. Ela pediu que ficassem tranquilos, não passava de estresse. Garantiu que conversaria com ele, sairiam de férias.

- Você tem que parar com essa maluquice, esse negócio de escrever. Melhor procurar um médico, pedir um remédio. Isso não é normal, você ainda acaba perdendo a cabeça ou o emprego!

Mas ele não sabia e nem queria parar as ideias. O que ele sabia é que precisava anotá-las, pois já se apertavam enfileiradas naquele trânsito insano. Procurou sua cadernetinha, não a encontrou. Um papel, qualquer coisa, nada. As ideias, convulsões incessantes, brotavam-lhe pela testa e escorriam pelo pescoço. Tentou pedir um papel para a mulher no carro ao lado, viu o vidro da janela fechar-se de susto. As palavras pressionavam cada vez mais, apertando-lhe o peito indefeso. Seus dedos escravos, numa derradeira e desesperada tentativa, começaram a escrever na própria mão, nos braços e nas pernas.

Quando o encontraram mais tarde, morto no carro, estava totalmente nu, o corpo coberto de mensagens, várias histórias que nunca chegaram ao fim.