segunda-feira, 18 de abril de 2011

DICAS DE COMO CONVIVER COM AS NOVAS REGRAS DE ORTOGRAFIA

Não sei você, mas eu ainda não decorei as já não tão novas regras de ortografia. Não é por falta de memória, que eu decoro coisa muito mais inútil: ainda me lembro de que o símbolo de potássio é o K. É que é muito antipático mexerem na língua assim, e ainda por cima forçarem a gente a decorar este mundo de regras sem sentido. Pra que? A língua já não tem evolução própria? Por acaso alguém precisa de acordo para decorar as gírias? Ou manual para utilizá-las? Até mesmo os estrangeirismos, que a princípio, por falta de palavra nativa, se instalam à revelia dos falantes, com o tempo dão um jeito de se aportuguesar e entrar no repertório popular: futebol/football, estresse/stress, e uma das melhores, forró/for all. Mas como o período de protesto e resistência às regras de ortografia já passou, pensei em algumas idéias para conviver com elas.

1. Você espalha cartazes pela casa com todas as regras e é forçado a lê-las a caminho da cozinha, banheiro ou quarto. Geladeira, telefone e privada são lugares privilegiados; talvez você deva utilizá-los para os hífens, hiatos e ditongos. A vantagem deste método é que outros membros da casa também podem se beneficiar.

2. Você utiliza a mesma idéia do item anterior, mas as regras são escritas em cartões pequenos que podem ser levados na bolsa, e além dos lugares acima mencionados, podem ser utilizados na sala de espera do dentista, trânsito de São Paulo, reunião de planejamento, fila do INSS, etc.

3. Você ignora totalmente as regras e passa a incluir a seguinte frase em tudo que escreve.

‘Texto ainda NÃO revisado segundo o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.’

Mas atenção, isto só vale até 2013, quando as regras antigas não poderão mais coexistir com as novas regras.

4. Você compra e instala um programa de revisão ortográfica devidamente atualizado, e à medida que ele vai corrigindo seus erros, você vai estudando as novas regras. Mas é imprescindível que você escolha a opção em que as sugestões de correções ortográficas tem que ser confirmadas uma a uma; caso contrário, o programa fará todo o trabalho e você não aprenderá nada.

5. Você se voluntaria como revisor de textos no jornalzinho do bairro ou na escola do seu filho para se forçar a praticar as novas regras. Afinal, você não vai querer fazer feio com os vizinhos ou seu filho. Se tiver vizinho intelectual e mais que um filho, cada um em uma escola diferente, melhor ainda.

6. Você consulta seu filho sobre a ortografia das palavras. Mas veja bem, só vale se ele tiver entre onze a doze anos, pois isto significa que ele aprendeu ortografia já segundo as novas regras. E ele tem que ser bom aluno e tem que ter tido uma professora muito boa que já tenha aprendido as novas regras. O inconveniente desta opção é que o vocabulário dele pode ser ainda um pouco limitado.

7. Você contrata um revisor profissional para revisar seus textos. Se ele for bom, revisará muito mais que a ortografia, e seu texto ficará excelente. O problema é o custo e a dependência deste profissional. Mas, se você tiver alguma habilidade como falar inglês, tocar piano, fazer massagem ou cozinhar muito bem, pode propor um sistema de troca de serviços. Com sorte você pode arrumar novos clientes ou até um namorado novo!

8. Você passa a escrever somente em inglês ou em outro idioma de sua preferência. O inglês sai na frente já que é uma língua super econômica e prática, e os caras adoram cortar (gym - gymnastics), juntar (brunch –breakfast/lunch) ou inventar novas palavras de duas (dirty-movie theater para diferenciar de dirty movie-theater!!!). Embora haja regras, não há acentos ortográficos ou censura. Agora, se você já não dominar o idioma, pode ficar um pouco caro para aprendê-lo e demorar um pouco até que você possa publicar alguma coisa interessante.

9. Você só escreve no Twitter, Messenger e similares. Aki vc eskreve tdu xempli axim, blz? (Aqui você escreve tudo sempre assim, beleza?) Nesta linguagem espontânea e antagônica, as regras não tem tempo de se consolidar. Depois de um rápido treino, qualquer um pode se comunicar e criar. Só é preciso ter bem claro qual a mensagem a ser passada, sem rodeios. Se você parar para pensar, é uma linguagem bem mais democrática do que qualquer tratado acadêmico.

10. Você manda sua sugestão de como conviver com as novas regras de ortografia e eu a coloco aqui.

‘Texto ainda NÃO revisado segundo o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.’