domingo, 10 de abril de 2011

BOLA NA REDE

Nem time de futebol eu tinha. Jogo, só se fosse do Brasil, em copa do mundo, e assim mesmo em quartas de final. Percebi que ele tinha mesmo emplacado comigo quando me convidou para assistir um jogo entre o Comercial e o Juventus e eu aceitei. Não sem antes renunciar ao meu seriado favorito e passar os próximos noventa minutos sentadinha ao lado dele sem fazer absolutamente nenhum comentário. Será mesmo que eu estava gostando de futebol?

Meus primeiros comentários futebolísticos eram firulas, feito criança pequena usando alguma palavra grande pela primeira vez. Tomei muito frango, mas a reação da galera masculina foi encorajadora; eu estava entrando para o outro time. Depois passei a conhecer os clubes, campeonatos, regras do jogo e as politicagens dos cartolas. Soninha e Renata Fan passaram a ser minhas ídolas.

Agora já sabia das novas contratações, discutia faltas e impedimentos, e o mais importante, tinha um time, o dele obviamente. E torcedora do Santos naquela época tinha que molhar a camisa, porque não tinha figura feito Robinho nem Neymar ou Ganço, era só perneta coberto da poeira do Pelé. Mas como boa torcedora, não abandonei meu time.

Não passou muito tempo até que eu me tornasse uma geraldina, curtia todos os jogos, até o futebol feminino pré-Marta eu assistia. Se por acaso eu dormisse durante uma partida, a primeira coisa que ele me contava pela manhã era o resultado do jogo. Às vezes era eu quem dava uma notícia de primeira mão. A essas alturas a paixão tinha extrapolado o campo doméstico; eu sabia o time de todos os meus alunos da classe, falava de futebol com o taxista e desconfiava de qualquer pessoa que não gostasse de futebol.

Aí ele começou a reclamar, dizia que eu estava viciada e que só pensava em futebol. Neguei! Era só diversão, poderia deixar o futebol a qualquer hora. Fazia isso só para agradá-lo, ele é que não entendia. Passei então a mentir para ele, assistia jogo escondido, parava nas bancas de jornal para ler notícias esportivas, fingi até que não sabia da contratação do Ronaldo pelo Corinthians.

Mas tudo tem um limite, e percebi que tinha quebrado todas as regras quando me neguei a namorar com ele porque tinha jogo do Santos na Libertadores.