segunda-feira, 6 de abril de 2009

Every Little Thing Gonna Be All Right

Caminhava pelo parque quando o som de uma música conhecida me surpreendeu.

‘Don't worry about a thing...’

Era alguém cantando, a voz vinha muito forte; por um momento pensei que fosse um show ao vivo. Depois percebi que o som vinha daquele homem alto e magro andando por entre as árvores. Levantava seus braços, gesticulando com as mãos em várias direções, feito galhos ao vento, cantando para todos ouvirem. Alternava o canto com declamações de palavras, alvorecendo num poema. De onde havia saído aquele homem? Surgiram logo as primeiras especulações: louco, estrangeiro, artista, drogado?!

Era um homem bem cuidado, com roupas esportivas caras, cabelos bem cortados, elegante mesmo. Quem era ele? Faltava uma categoria para enquadrá-lo, e isto poderia ser um problema não fosse o impacto radiante que causava em todos. Depois de alguns segundos, passou por mim e assim rápido se foi de volta por entre as árvores.

’Cause every little thing gonna be all right.’

Retomei minha caminhada como quem tinha visto o circo passar. Alguns minutos mais tarde continuava lembrando os gestos e palavras daquele emissário no seu vôo solo. O que tinha dado nele para sair cantando daquele jeito? O azul do céu, os pássaros, alguma revelação? Senti uma inveja amiga porque loucura dessas, coisa para poucos corajosos, só sinto a conta-gotas. Queria ser mais ousada, me desfazer de tudo que não tem lugar. Cortar sem dó, despir o passado e continuar nua ao vento. Nem vento, nem brisa, o ar estava parado. Ainda assim, tudo ficou bem.

'Don’t worry about a thing,
cause every little thing gonna be all right.'