domingo, 22 de março de 2009

O Umbigo de Isaura

Chegou ofegante, olhou para os dois lados da calçada e entrou apressado pela portinhola da frente. Apertou a campainha e veio o medo. Pensou em sair correndo. E se sua mulher o soubesse ali? Mas quanto mais ponderava a transgressão, mais desejava ficar. Seguiu pulsando entre a culpa e a excitação até que atenderam a porta. Na entrada, foi logo falando sem preliminares:

- Quero uma massagem tailandesa.
- É sua primeira vez?
- É.
- Meia custa R$100,00, completa R$200,00; o pagamento é no final.
- Meia.
- Se mudar de idéia é só avisar à massagista. Agora sente-se que vou chamar as meninas.

Dez minutos depois três moças entraram sorrindo na sala, duas loiras e uma morena. Eram muito jovens, dezoito, dezenove anos no máximo. Vestiam saias curtas e decotes generosos que anunciavam seus atributos mais fortes. A morena usava uma mini blusa que evidenciava-lhe a barriga, e nela seu umbigo. Não era muito magra, nem tinha músculos definidos. Mas seu umbigo, um mistério côncavo adornado por generosa sensualidade, causou-lhe esquecida e confortante excitação.

- A morena!
- É a Isaura.

Isaura levou-o para um quarto no piso superior, e assim que entraram pediu que se despisse e que fosse se sentar na mesa de massagem. Somente quando estava já sentado, completamente nu, começou a tirar sua roupa, peça por peça, com morosa delicadeza. Havia um capricho afetuoso em seus movimentos. Ele percorria com os olhos cada parte revelada de seu corpo, voltando com obediência para seu umbigo. Aquele rodamoinho hipnótico foi se transformando numa saudade fina que lhe devolveu, por alguns segundos, os primeiros desejos e a esperança dos próximos. Depois, as cinzas das experiências insípidas da juventude, seguidas de incansáveis buscas o levaram até as promessas esquecidas do matrimônio - desilusões lentas, sem rumores nem toques. Sua voz o trouxe de volta à solidão daquela casa de massagem e de todos os homens e mulheres que estiveram lá antes dele. Uma solidão tão escura que era melhor fechar os olhos e se acostumar.

- Agora pode virar e se deitar que meia massagem é só de bruços.
- Vou querer completa - respondeu sem abrir os olhos.