sábado, 24 de maio de 2008

Vinicius de Moraes no meu banheiro

Já tive compulsão por comprar várias coisas: cosméticos, sapatos, bijuterias; mas a única que resiste através do tempo é comprar livros. Compro de tudo quanto é jeito: Tenho lista de presentes nas livrarias, compro livros nas bancas de jornal, sebos, metrô, Internet. Cada jeito um deleito. Folhear vários livros na livraria, para finalmente eleger os favoritos; receber um pacote de livros comprados através da Internet é uma recompensa dos avanços da tecnologia; e garimpar livro em sebo, tem coisa melhor? Já me desfiz de muitos livros no passado, achava que uma vez lidos, não precisava mais deles. Minha vida de cigana também colaborou para tal desfecho. Mas hoje não, guardo meus livros como relíquias de conhecimento. Como se conseguisse aprender o segredo dos mestres através de seus livros, conquistando companheiros, cúmplices nesta solitária viagem das escrituras. O simples fato de ter os livros e poder lê-los ou pesquisá-los sempre que quiser já me aquieta a alma.

Agora dei para ler no banheiro, e o culpado é o Vinicius de Moraes. O leitor agora deve estar se perguntando o que é que o poeta tem a ver com o meu banheiro. Vamos lá ver se consigo explicar sem tornar esta narrativa indiscreta ou repulsiva. É que gosto de ter livros espalhados por todos os cantos da casa, e na bolsa para uma eventual fila ou sala de espera, e no carro para o caso de um congestionamento, assim como também procuro ter sempre à mão papel e caneta para anotar alguma idéia que me venha à cabeça; mas banheiro nunca foi lugar de leitura para mim. Até que comprei ‘Para Viver Um Grande Amor’, crônicas e poemas de Vinicius de Moraes, da coleção da Folha de São Paulo. Chegando em casa com as compras, precisei ir ao banheiro. Como a curiosidade de folhear o livro era tão urgente quanto a necessidade fisiológica, tive que conciliar as duas atividades.

Fui pega totalmente de surpresa pelas crônicas do autor, que até então desconhecia. São deliciosas! Ele transita entre os mais inusitados temas com muita leveza, graça, e estilo. Uma verdadeira inspiração. E gostei tanto da experiência, que lá ficou o livro. Nunca leio mais que um poema e uma crônica a cada visita. De alguma forma tenho certeza que minha experiência rendeu ao poeta um largo sorriso de onde quer que ele esteja.